É comum que, após uma prática de meditação ou mindfulness, as dores do corpo diminuam e a energia aumente de forma quase imediata. Embora muitos descrevam essa experiência como “mágica” ou “espiritual”, a ciência já possui explicações claras e consistentes para esse fenômeno.
Neste artigo, você vai entender o que acontece no cérebro, no sistema nervoso e até na expressão dos genes quando você medita — e por que isso transforma a forma como o corpo sente dor e produz energia.
A dor diminui porque o cérebro muda sua forma de processá-la
Pesquisas com ressonância magnética funcional mostram que a meditação altera a atividade de regiões-chave envolvidas na dor:
Amígdala: diminui sua reatividade emocional, reduzindo a ansiedade associada à dor.
Córtex pré-frontal: aumenta a atividade, melhorando controle cognitivo e regulação emocional.
Rede de Modo Padrão (DMN): reduz a ruminação mental, que amplifica a percepção de dor.
Essas mudanças não “desligam” a dor, mas fazem com que o cérebro interprete os estímulos de forma menos ameaçadora e mais equilibrada.
O corpo libera analgésicos naturais
Durante e após a meditação, há aumento de:
endorfinas, que reduzem a dor;
serotonina, que melhora humor e relaxamento;
endocanabinoides, que promovem bem-estar e reduzem desconfortos;
redução de cortisol, o hormônio do estresse que aumenta tensão e inflamação.
O resultado é uma queda significativa na percepção de dor, muitas vezes em poucos minutos.
Menos estresse, menos inflamação, mais energia
O estresse
crônico drena energia: aumenta a inflamação, acelera o coração, eleva a tensão muscular e exige maior gasto metabólico.
A meditação faz o oposto:
ativa o nervo vago e o sistema parassimpático;
reduz citocinas inflamatórias (como IL-6 e TNF-α);
melhora a variabilidade da frequência cardíaca;
reduz estresse oxidativo.
Com menos “ruído biológico”, o corpo economiza energia — e essa economia aparece como sensação de vitalidade física e clareza mental.
A meditação realmente altera a expressão dos genes?
Sim, mas não no sentido popular de “ativar genes que liberam energia”.
O que os estudos mostram é:
diminuição da expressão de genes pró-inflamatórios (principalmente via NF-κB);
aumento na expressão de genes ligados ao reparo celular;
melhora na regulação de vias metabólicas;
em alguns casos, aumento da atividade da telomerase, enzima associada à longevidade celular.
Essas alterações contribuem para um organismo mais eficiente, equilibrado e resistente ao estresse.
Conclusão
A sensação de alívio da dor e aumento de energia após a meditação não é coincidência nem placebo. É o resultado de um conjunto de adaptações cerebrais, hormonais e celulares que tornam o corpo mais eficiente e equilibrado.
A prática de mindfulness não apenas acalma a mente: ela modifica o ambiente interno do corpo, criando condições reais para mais saúde, menos dor e mais vitalidade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário