Seguidores

sábado, 24 de janeiro de 2026

Como lidar com a enxurrada de pensamentos durante o dia na perspectiva do Mindfulness

 





Ao longo do dia, a mente humana produz uma quantidade constante de pensamentos. Planejamentos, lembranças, julgamentos, preocupações e diálogos internos se sobrepõem, muitas vezes criando a sensação de uma verdadeira enxurrada mental.

Na perspectiva do Mindfulness, o problema não está no fato de pensarmos demais, mas na forma como nos relacionamos com esses pensamentos.

Pensamentos não são o inimigo




Mindfulness parte de um princípio fundamental: pensamentos são eventos mentais transitórios, não fatos absolutos nem ordens que precisam ser obedecidas. Eles surgem espontaneamente, permanecem por instantes e desaparecem.

O sofrimento psicológico tende a aparecer quando ocorre:

  • Identificação automática com o pensamento

  • Fusão cognitiva (“isso é verdade”, “isso sou eu”)

  • Reatividade imediata

A prática começa quando reconhecemos, com clareza:
“Um pensamento está acontecendo.”




Esse simples reconhecimento já representa um deslocamento de consciência.

A habilidade central: observar sem engajar





Mindfulness treina a chamada posição do observador — um estado metacognitivo em que a mente percebe seus próprios conteúdos sem se perder neles.

No cotidiano, isso se expressa de forma prática:

  • Pensamentos surgem

  • Você percebe

  • Não luta, não discute, não segue

  • Retorna ao presente por meio de uma âncora



O retorno não é sinal de fracasso.
O retorno é a prática.




Âncoras conscientes no meio da rotina

A mente opera, por padrão, em modo automático. Mindfulness introduz pequenas pausas conscientes ao longo do dia.

Algumas âncoras simples:

  • Dois ou três ciclos completos da respiração

  • Sensação dos pés tocando o chão

  • Contato das mãos

  • Um som ambiente




Sempre que perceber a enxurrada de pensamentos:

  1. Reconheça: “pensamentos intensos”

  2. Traga atenção ao corpo por alguns segundos

  3. Retorne à ação presente



Nomear para não se fundir

Uma estratégia eficaz é a rotulagem gentil.
Exemplos:

  • “Preocupação”

  • “Planejamento”

  • “Julgamento”

  • “Lembrança”



Nomear não é analisar.
É reconhecer a natureza do pensamento, o que reduz sua força automática.

O que a neurociência aponta




Pesquisas em neurociência indicam que a prática regular de Mindfulness:

  • Reduz a hiperativação da rede de modo padrão (associada à ruminação)

  • Fortalece áreas pré-frontais ligadas à autorregulação

  • Aumenta a consciência corporal como referência de estabilidade

Esses fundamentos foram sistematizados e popularizados por Jon Kabat-Zinn, ao integrar práticas contemplativas com ciência e saúde.

Um princípio essencial

Mindfulness não busca reduzir o número de pensamentos.
Busca reduzir o sofrimento gerado por eles.

Pensar é natural.
Ser arrastado por cada pensamento não é inevitável.

Quando você percebe a enxurrada, já existe espaço entre você e a mente.
Esse espaço é o início do equilíbrio.




Nenhum comentário:

Postar um comentário