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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

ANGÉLICA: DEPOIS DAQUELE ACIDENTE

Por : POR MILLY LACOMBE (*)

O pânico passou a visitar a apresentadora depois que ela sobreviveu à queda de um avião. Em franco desequilíbrio, ela foi buscar na meditação a saída para o turbilhão



Que tipo de ajuda você buscou?

 Voltei a fazer minha análise. Comecei a fazer muito pequena, sempre fui uma pessoa muito pé no chão, depois dos filhos fiquei mais ainda, então não fazia sentido pra mim aquela sensação. Pouco depois do episódio de Nova York a gente viajou para esquiar e eu estava num museu com as crianças e tive de novo uma crise que não me deixava respirar.

Eu pensei: "Tá errado isso". Não consegui esquiar, fiquei dez dias dentro da casa. Aí comecei a receber uns sinais: um amigo me deu um DVD de meditação – se chama Connection, é sobre meditação transcendental [a técnica criada pelo guru indiano Maharishi Mahesh em 1958], outro falou que fazia meditação...

 Eu só fui acreditar na tal da meditação quando vi em um documentário alguns médicos falando que resolvia mesmo.


 Depois fui fazer um curso de três dias na Arte de Viver, e adorei. Comecei a fazer a meditação, mas ela não me pegou, fui largando de algum jeito.

E alguém, assim do nada, porque nem sabia que eu fazia, falou: "Você conhece o Kléber [Tani], professor de meditação no Rio há muitos anos?".

 Pesquisei na internet a linha dele, criada pelo Maharishi, e aquilo me pegou de vez.


Então a meditação curou o pânico?

 O pânico nada mais é do que você perder o controle da respiração, e a meditação encaixou novamente a minha respiração. Eu estava numa ansiedade, numa coisa esquisita, e por isso comecei a respirar errado. Mas percebi o quanto tudo isso nascia na minha cabeça, e o quanto eu consigo dominar a minha cabeça, e não deixar ela me dominar.

 Nós somos uma coisa só, não existe isso de a cabeça estar maluca e o corpo estar são.


Faz quanto tempo que você engrenou na prática?

Uns seis meses, a meditação. A ioga faz dois meses, ashtanga e a hatha. Medito no meu quarto, medito nesta sala onde estamos agora e na academia. Outro dia meditei no meu quarto e tinha uma luz linda entrando, então fiz uma foto e botei no Instagram. Quase não teve likes, ao contrário de quando coloco foto malhando.

Eu não sei por quê. As pessoas não falam muito sobre meditação. Queria entender que medo é esse, o que é que é. Medo do desconhecido? É medo de entender a cabeça? É medo de afundar nessa história?

 Se você falar "eu faço meditação" o interesse é pequeno. 

Já se falar "coloquei silicone"... É superlouco. E meditação muda a vida da pessoa…


E muda a realidade ao nosso redor

Muda tudo. Muda a família. Quando comecei a fazer o curso, o Kléber falou: "Você vai ver que muda a sua casa porque vai mudar você, e você é a sua casa". E mudou. 

Mudou o meu humor, óbvio, porque você fica mais calma em todos os sentidos, com as crianças e tals. Não fico falando para eles meditarem, mas eles sabem o horário que eu medito, e fazem silêncio. Outro dia eu cheguei em casa e a Eva estava assim [faz um lótus]. Perguntei: o que você está fazendo? E ela: "Meditando. Ommmm".

 Os meninos não meditam ainda, mas sei que estou plantando uma sementinha na cabeça deles. O Luciano fez o curso há um mês. Meditar junto é outra história, outra energia.

 A gente consegue meditar junto de vez em quando e é um barato, ainda mais quando você tem muita intimidade com a pessoa, parece que a meditação é mais profunda, a gente sem pensar abre o olho junto, a gente sente as coisas juntos, tem muita ligação.

* Uma entrevista muito linda e profunda, com muito conteúdo, veja a entrevista completa no link abaixo:


ANGÉLICA: DEPOIS DAQUELE ACIDENTE